Lunática
16:53 | Author: § Tatiana Gerivazo

Percebi que com o tempo perdi o dom de escrever. Me forçava por vezes a ligar o computador e começar a escrever enquanto comia algo que me acalmasse e não me fizesse tirar a bunda da cadeira.

Me forcei até a me imaginar em catástrofes, pensar nos meus maiores medos se tornando realidade, as minhas piores inseguranças. Só para me inspirar e conseguir mais textos, contos e poesias. Para que não me sentisse uma completa idiota por estar alimentando tudo que havia de ruim em mim, convenci-me que só estava desabafando tudo. De que de certa forma eu alimentava a necessidade de escrever e tirava do coração tudo aquilo que estava apodrecido. Que tudo me faria bem no futuro.

Mas comecei a inventar tanto, fantasiar tanto, que meus medos que nem eram tantos assim parecem ter dobrado. E não sei se eu os multipliquei ou se simplesmente os desenterrei de dentro de mim. Caso sempre estivessem aqui, ótimo. Mas caso os tenha multiplicado, estou rumo ao meu fim.

As vezes acho que sou doente, tenho obsessões demais para ser normal. E penso que uma hora minha razão não vai conseguir segurar essas obsessões. A idade vai chegar, a razão vai se despedir e será apenas eu e meus fantasmas. Ah, não posso me esquecer da minha enfermeira. Isso se eu tiver tempo antes dessa loucura de ganhar dinheiro o bastante para paga-la e ainda sobreviver. Talvez fosse melhor me matar depois desse descontrole, mas acho que serei amarga e imortal. Na verdade não creio nisso, mas esse é um dos meus medos: o de haver algo esperando do outro lado, e que esse algo me dará uma surra se não me comportar aqui e cumprir o cronograma.

Não que acredite em alguma religião ou algo do tipo, só creio que esses anos que vivo aqui não são em vão. Sinceramente creio que há um objetivo para todos, se não houver dane-se. É bem divertido viver mesmo que infeliz.

Dá pra se entreter bem quando se está infeliz, a infelicidade (ou se quiser chama-la de desilusão) dá coragem de cuspir tudo aquilo que você não quer acreditar mas que é verdade. Queria estar a parte de tudo aquilo que me foi ensinado, me ensinaram a sonhar demais. E isso definitivamente é mais perigoso que uma arma na mão de uma criança que foi acostumada com brinquedos de guerra.

É pessimista e ridículo o que vou dizer. Mas gostaria de enlouquecer, por todos contra mim, secar meu coração, amargar. Talvez porque quero uma felicidade banhada em sangue, uma paz que só vem depois da guerra. Mas é que não vejo meio de ser simplesmente feliz. Isso é tão vazio, é necessário dor para aprender. Quero que tudo dê errado para no final poder refletir sobre tudo que pensei antes e como penso depois, já em paz. Quero me por em contradição de pensamentos para chegar no pensamento verdadeiro.

Porém isso é apenas a parte de mim que quer encontrar um motivo que me diga que isso tudo não é em vão. E quando até este meu lado está desiludido, brinco de simplesmente não me importar. Porque no final sei que serei incapaz de vencer os anos que passarão e a terra que me engolirá. Quero apenas rir o bastante antes de perder, ou ficar atrás de meios de me imortalizar. Que não dão certo, pois não consigo largar a solidão e a alienação que vivo do resto do mundo.

Porque realmente vivo no mundo da lua, só observando de longe o planeta azul. “O que, aquela cantora nova? Não sei quem é, vi o rádio ligado mais estava longe demais para ouvir a música.” “Não sei que programa é esse, vi a televisão ligada também mas da lua fica difícil de enxergar os atores ou ouvi-los.” “Sim, vi a inauguração do shopping, mas não fui porque ia me tomar muito tempo pegar um foguete.” Sempre assim, perto mais distante. Nunca a pessoa de um olhar só, nunca estou inteiramente aqui. Vivo lá naquela esfera esburacada e meu tempo é dividido desigualmente entre minhas duas casas. Não espere nunca falar comigo e encontrar-me de imediato.

Escrevo este texto lá da minha outra casa, da minha querida lua. E meu corpo tem uma leve conexão com essa outra eu que vive lá. Aqui na Terra o olhar segue vazio, as mãos digitando automaticamente e a boca a mastigar a ruffles.

É, eu enlouqueci e nem tive tempo de contratar a enfermeira.

Quase um anjo
22:17 | Author: § Tatiana Gerivazo
Oh meu anjo, você me deu asas para voarmos juntos.
E eu as queimei sem piedade.
Como me desculpar? Fui tantas vezes avisada, e nenhum cuidado tomei...
Estava voando tão alto, eu era um anjo como você.
Tocávamos o mar e depois subíamos até as nuvens.
Descansávamos no topo de alguma montanha e víamos as maiores belezas do mundo do ângulo que queríamos.
Observávamos as formiguinhas lá embaixo, mas sem maior aproximação.
Nunca foi seguro anjos estarem próximos a elas.
Ainda mas eu, que era mais como elas do que como você.
Oh meu querido, como você me avisou!
A admiração das formiguinhas lá embaixo foi tanta que chegou aos meus ouvidos.
Meus ouvidos que ainda não haviam sido purificados.
E que facilmente se seduziram pela admiração das pequenas formiguinhas.
Senti ser capaz de conseguir tudo que queria.
Cai entre eles achando que poderia viver assim, superior a elas e entre elas.
Era obvio o que iriam fazer, só mesmo eu em minha inocência apaixonada não percebi.
Quis ser ambiciosa como eles, e pura como um anjo.
Mas só estava sendo ingênua.
Assim foi que as asas deram lugar as cicatrizes.
Queria te contar o tamanho da minha vergonha ao olhar pro céu agora.
Não que queira te pedir perdão, porque você é um anjo e sei que me perdoou.
Mas é um anjo e não um tolo, e essa certeza dói no momento em que penso que você não cometeria o erro de vir até mim.
De descer até esses monstros que devoram uns aos outros, só para beijar a face desta monstra que também sou.
Que foi capaz de te negar.
E que agora nega a tudo e todos em uma esperança insana de você voltar.
E esperança vai ser tudo o que vai sobrar deste corpo.
Não serei monstra, nem anjo, nem mulher...
Serei apenas este corpo secando em terra. Sem alimento, sem desejo e sem amor...
E meu anjo será enfim o urubu a sobrevoar a carniça de sua amada.
Um minuto, só para vocês.
20:30 | Author: § Tatiana Gerivazo

Tenho o céu rosa sobre mim e uma brisa tímida que tenta me enfeitiçar. O mar parece infinito ao meu ver, e só gostaria de poder nadar nele sem precisar respirar. A areia não incomoda, porque quando não há platéia para impressionar, nada de fato importa. Não estou realmente sozinha, há um grupo de amigos mais a frente, perto d'água gritado e brincando.

Brincadeiras que julgo bobas e perca de tempo, mas é só incompreensão minha.

Incompreensão daquela energia que sei que eles estão sentido e que não tem motivo certo de existir.

Apesar de compreender, digo não estar entendendo pois se realmente entendesse não sentiria tal melancolia só por observar a cena.

Adoro sentar aqui e só observar, mas sinto agonia do tempo que demora a passar e vergonha quando alguém passa me olhando.

Francamente gostaria que um cara sentasse ao meu lado, pedisse uma informação e enrolasse uma conversa até o pôr-do-sol.

Só para que eu pudesse sentir aquele prazer de descobrir um novo mundo.

Adoro isso de conhecer o mundo que há dentro de cada pessoa. Sem compromisso, só porque é um mundo e merece respeito.

Pois não se cria um mundo em sete dias, a não ser que seja Deus e não creio muito neste Deus de que tanto falam.

Um mundo leva milênios para ser construído, e me cativa um simples sorriso torto que surge ao meio de uma frase sincera.

Daquelas que a pessoa sabe que será uma idiota se tiver audácia de falar, mas que ao meu ver é só meiguice.

Eu já assumi em outros relatos odiar pessoas, mas eu reafirmo a frase que relatei logo em seguida: Eu as amo.

Por mais que me tirem as energias, me desgastem, me irritem, me magoem, me tornem fria e indiferente.

Jamais conseguiria negar-lhes um convite de conhecer seus mundos, e ver que eu as amo só pela inocência que mora atrás de tantos erros.

Das magoas, de sua coragem... Eu adoro analisar o pensamento dos outros sobre uma outra pessoa, analisar meu pensamento sobre esta pessoa e então ver a pessoa mesma desconstruir toda essa analise em uma simples hora de relato.

Nessas horas confesso que me dá vontade de pega-los no colo e não largar. Pois jamais conseguirei expressar-lhes minha admiração.

Levo tanto tempo para conseguir essas oportunidades, mas elas são sempre tão inesperadas. Eles escolhem quando que eu devo ganhar a permissão de conhecer seus mundos, e em troca eu ofereço parte do meu.

Mas confesso que não tenho um mundo próprio, sonhos e idealizações? Sim, tenho. Mas não um mundo pronto.

O que tenho mais são souvenirs que trago dessas viagens, sou só uma junção de partes de todos eles.

Ruis e boas. Isso até gera uma contradição em mim, mas não consigo me convencer de que isso não vale a pena.

Adoro me inspirar em seus mundos e então juntar dois ou três em um texto só.

Talvez mostra-los que não estão sozinhos, que temos muito mais em comum do que parece.

Ou quem sabe só quero aparecer mesmo, afinal, não tenho um mundo meu. O que posso oferecer-lhes mais?

Engraçado como acho que as vezes sou um poço de paradoxos e as vezes tenho a impressão de que este poço está vazio.

Quando está cheio, eu me acalmo. Quando está vazio olho em volta a procura de novos mundos, pra ver se uma hora consigo interligar todos estes pensamentos confusos.

(...)

Engraçado como estes meus pensamentos duraram segundos, não ajudaram o tempo a passar e nenhum pedido que fiz foi realizado. Não vai mudar em nada minha vida de fato, mas não consigo me negar a forçar estas palavras só pra relembrar de todos eles... Todos aqueles que tanto amo, que me cativaram com seus sorrisos e principalmente com a confiança que depositaram em mim sem eu lhes oferecer absolutamente nada.

Estas palavras são só para eles, só pra alegra-los. Só para que saibam que os valorizo e penso neles, e que estamos mais próximos do que posso estar ou demonstrar. Mas ainda assim são só palavras, pensamentos e reflexões... Que ficarão aqui comigo neste pequeno minuto que se passou de reflexão. E que nem sequer chegará até eles, e se chegar, não será entendido ou não saberão que isso tudo é só para eles.

Mas ainda assim estou aqui, sem pôr-do-sol e sozinha, pensando unicamente neles.

Rebeca
20:04 | Author: § Tatiana Gerivazo
Meu nome é Rebeca, tenho 64 anos e sou viúva.
Atualmente vivo sozinha em uma casa pequena no interior do Rio de Janeiro.
Hoje é domingo, todos que conheço estão em casa com suas famílias e as lojas estão fechadas. O que dá a entender que é um dia entediante e sem movimento, um dia feito para dormir.
E eu estou aqui, vendo um programa qualquer na TV enquanto espero o café ficar pronto.
Essa tecnologia nos deixa cada dia mais sem o que fazer. Nem esquentar a água preciso mais.

Isso dá bastante tempo pra gente pensar na vida, o que no meu caso não é muito glorioso.
Já até me fiz o favor de retirar todos os espelhos da casa, agora só resta o do banheiro, que possui um pano por cima para retira-lo apenas quando vem alguém aqui.
O que não acontece com frequência, só se algum entregador resolver pedir para ir lá.
Finalmente! O café ficou pronto! Se tivesse que ver mais um filme de romance acho que iria surtar.
É difícil de ver que só ao final da vida é que notamos a grande mentira que o amor é.
Só parece bonito porque os poetas tentam transforma-lo em algo mais sublime, mas delicado e carinhoso. Mas ai descobrimos o porque de ninguém conseguir definir o amor, ele não existe. E quem não o encontra ou encontra alguém fantasiado dele, apenas suspira e reclama de não ter o achado.
Eu preferi confessar que é tudo mentira, somos animais racionais que sentem ciúmes, que sentem dependência de outro ser. Procuramos apoio no outro porque não conseguimos nos oferecer este. Mas depois que percebemos que estamos sozinhos, que REALMENTE percebemos. Aprendemos a viver sozinhos.
E se por acaso surge um vazio no peito, é só deitar na cama e tentar dormir, que no dia seguinte ele passa.
Depressão?
Não acredito que seja, os remédios que tomo devem ter dado conta disso faz tempo.
Acho que é só irritação, na verdade no dia de hoje, a vinte anos atrás meu marido morreu.
Câncer, essa merda devora alguém.
Essa merda me devorou.
E ainda posso senti-lo me devorar.
Posso sentir toda a frustração que caiu sobre mim naquele momento arrancar a cada dia mais um suspiro.
É como uma rosa que vai perdendo a sua vitalidade, fica murcha e com espinhos e então vai perdendo pétala por pétala.
Até o solo a absorver e a transformar em alimento para o próximo.
Se eu for que nem essa rosa, terei sorte se puder ajudar este lugar servindo de alimento para vermes.
Acho que não, já perdi todas as pétalas e o solo ainda não me cobriu.
Parece que eu tenho uma missão muito importante por aqui, porque apesar de minha infelicidade, ainda estou viva.
Porque a morte não pode só nos ouvir? Estou ocupando lugar de alguém que quer viver aqui, venha logo me buscar!
Minhas mãos velhas já não produzem nada, minhas lágrimas não tem a quem comover e não tenho com quem me preocupar.
Eu tento pensar que sou forte, por ainda não ter tomado todos aqueles remédios que guardo no banheiro de uma vez só. Mas não quero estragar minha última chance do paraíso.
E se este não existir, pelo menos não ficarei sendo dita como louca por quem for ao meu velório.... Bem, pelo padre ao menos.
Dane-se, nunca fui religiosa mesmo. Mas ainda acredito em paraíso... Malditas crenças! Nunca me ajudaram em nada em minha vida e até agora me impedem de um último desejo.
Não sei por que tanto drama, nunca fui tão apaixonada por meu falecido marido.
Mas estar sozinha é pior do que um casamento sem amor.
Em um casamento ao menos tem aqueles dias especiais em que o parceiro deve fingir amor e lhe presentear com algo. E se o parceiro não faz isso ao menos serve de ouvinte para nossas reclamações e frustrações.
Me sinto mal, ao olhar minhas mãos enrugadas e lembrar de achar que já estava no fim da vida quando fiquei sozinha.
Eu ainda tinha uma chance, mas preferi chorar, eu tinha chance de não terminar sozinha.
Mas a desperdicei, podia estar agora com essa casa cercada de netos e filhos. E nem irmãos tenho para me dar sobrinhos. Mas de que importa mesmo?
Ah! Enfim um programa começou, o documentário científico, melhor que mais um romance infeliz.
Você nunca foi meu
10:39 | Author: § Tatiana Gerivazo
É como se nesse tempo todo, você ainda pertencesse a ela.
Como se eu fosse só uma fase sua, e que como toda fase, irei passar.
Mas ela não, ela faz parte de você e da sua vida.
Ela pode sumir por algum tempo... Mas volta.
E quando ela enfim voltar, eu vou.
Percorrendo meu caminho e olhando por cima do ombro, só pra me torturar mais.
Só pra ver o quanto você é feliz sem mim.
Só pra ver como foi fácil, mais uma vez, me iludir.
Não me arrependo do que senti por você, apenas de ter criado tantas expectativas.
Mas o que é amar sem criar expectativas? Sem acreditar em eternidade.
Confesso que a todo momento pensava nessa opção.
De estar me afogando novamente no mesmo erro de acreditar que alguém me ama.
Mas justo quando me faço crer o contrario, você resolve me fazer dona da razão.
Odeio estar sempre certa.
Faz com que nunca vá adiante em meus sonhos, nunca viva o que deveria viver e chore só por que não sei o que fazer.
Choro por não conseguir entender, e eu quero tanto entender e achar uma resposta.
Uma maneira pratica e romântica de levar isso adiante e é claro, segura.
Mas perco o chão só de lembrar de como pude me deixar enganar.
Não consigo superar aquele olhar.
Aquele maldito olhar.
Só de pensar que você já olhou para ela como olhava pra mim.
Como eu não percebi? Estou tão envergonhada.
Agora você só tem olhos para ela, e se estes por acaso vem em minha direção são apenas vazios.
Eles nem lembram mais do carinho que te dei, não transbordam mais nossas juras e afagos.
É como se nada nunca tivesse existido.
Você sabe que ela vai te trair de novo, não sabe?
Porque mesmo tendo a consciência disso você vai voltar? Não percebe que essa humilhação a qual você me submete me impedirá de te reconfortar no futuro?
Vou ter que te ver chorar e ignorar.
Não sentir, me fazer de fria.
Mas eu sou bem melhor assim, não é? Fria e sozinha...
Confesso que é muito divertido mudar o caminho o tempo todo só para não dar de cara com as velhas faces.
E de muitas eu já esqueci.
Não creio que vou esquecer a sua, mas eu também não acreditava ser capaz de esquecer os outros.
Segue em frente com ela, quando voltar atrás não vai mais me encontrar.
Não vai ter minhas coxas para molhar.
Nem meu corpo para te consolar.
Pode desistir também da voz macia ao pé do ouvido.
Você não terá mais minhas mãos a contornar o seu rosto e meu olhar perdido no teu.
Sofrerá tanto quanto eu, e nem sequer vai aprender nada com isso.
Só vai se afundar, afogar e mergulhar em si mesmo mais e mais.
E você sabe que estou certa.
Meu brinquedo novo
19:12 | Author: § Tatiana Gerivazo

Eu não quero deixar você sair.

Não quero que fique longe de mim.

Quero desfilar com você por aí.

Mostrar pra todo mundo, o meu brinquedo favorito!


Eu não quero que ninguém brinque com você.

Sou muito egoísta, mas é pavor de te perder.

Tenho medo que te roubem, sujem, deixem marcas.

Eu te amo muito meu brinquedo, e quero você o tempo todo comigo.

Dormir na cama juntinho.

Passar horas a fio só me divertindo.


Se te deixo em casa para ir a escola, já me arrependo de não ter te escondido na mochila.

E gasto meus pensamentos relembrando as boas horas.

E isso só me deixa mais ansiosa.

De te ver, abraçar e beijar.

Adoro te beijar!


Alguns dizem que estou apaixonada por você.

E as vezes acredito.

Mas ai lembro que você é só um brinquedo, daí finjo que a conversa nem foi comigo!


Mas não ligo, eu te amo!

Dou tudo de bom que guardei, pra você.

Sou muito ciumenta, sim!

Mas tenho que te confessar:

Meu egoísmo em te emprestar, é só medo de que a brincadeira fique melhor com outra.


Dizem que no final vou te jogar fora de qualquer jeito.

Não quero que me convenção que estou te usando.

Não é minha marionete, é meu brinquedo.

Quero brincar sempre com você, sorrir sempre com você e viver para sempre com você.


Te trocar? Só quando não for mais novo.

Mas promete não me deixar, até a brincadeira acabar?

Porque ai vou ficar sem brinquedo, e só terei as lembranças pra me fazerem chorar.




Sei que devia ter postado esse texto a mais tempo, até porque preciva por aqui uma foto do Peter, meu ursinho que inspirou o nome do blog. Ele não é lindo? 'o'

Bem, mas antes tarde do que nunca. Espero que tenham gostado, Au revoir (Como se eu gostasse de francês) !

Isso nunca foi uma prisão
09:59 | Author: § Tatiana Gerivazo
Eu preciso tomar uma decisão.
Sinto os contrastes se acentuarem cada vez mais dentro de mim.
E de fato, o bem e o mal já fazem parte de tudo que vem a constituir o meu ser.
Não consigo crer o quão errado isso pode ser. Mas ainda acredito que há um sentido em algum lugar desta confusão, não vejo como descobri-lo de forma que misture ambos os lados.
Porém, acho errado escolher uma parte da questão e mandar a outra se danar.
Tento ter paciência para quem sabe mais tarde encontrar a resposta para aquilo que tanto anseio.
Mas como aguentar ter que te assistir ir embora?
Como concordar em algo que vai contra minha vontade só porque é certo?
Quero te deixar livre, mas se isso me deixa infeliz o que posso fazer?
É a sua ou a minha felicidade?
Se te amo tanto, deveria ficar feliz com a tua conquista.
Mas acho que isso foi o que nos ensinaram, porque a cada passo que você dá, tenho mais vontade de laça-lo a mim.
Não sou egoísta, de maneira alguma. Mas sempre andei por ai sozinha, você se ofereceu para me fazer companhia e acabou como
uma bengala para mim.
E agora meu bem?
Realmente irá me deixar cair?
Você disse que me amava, e ainda acredito em tudo apesar de já ter me dito e demonstrado que não.
E tenho receio de cobrar tudo o que você me prometeu.
Afinal, porque eu não quero que você vá?
Me acostumei com você aqui, irá ficar um vazio tão grande...
Mas, um vazio ao meu lado ou em meu coração?
Eu nunca consegui descobrir se te amava de verdade. Mas você foi o mais próximo disso que consegui chegar.
E ainda assim o tempo correu tão rápido, eu devia ter me preocupado mais com essa certeza.
Agora não sei se devo prende-lo.
E eu quero tanto acreditar que há um motivo nobre dentro desse desespero e humilhação.
Mas acho que só quero me motivar a escrever mais alguns versos...
E tenho medo de que eles não valham isso.
Nem verso, nem melodia, nem olhar...
Vai ser como se tudo nunca tivesse existido.
Assim, poderei ignorar minhas vontades contraditórias de te querer livre dentro de uma gaiola.
Pode voar, deixe que limpo as penas.
Vou levar algum tempo até ajeitar tudo do jeito que era antes de você chegar.
Mas vai tudo voltar a ser como era antes... E tudo que vou lembrar é apenas que outro passarinho passou por aqui achando que iria querer meus cuidados pela eternidade.
Vá, um dia talvez você chore quando uma caçadora má quiser te aprisionar a força.
Então você vai ver, que valia a pena ficar na pequena gaiolinha do meu coração.