A procura da essência.
12:22 | Author: § Tatiana Gerivazo
Meu peito se enche de dor quando respiro.
Odeio essa melancolia súbita.
Me faz sentir como se tivesse sido esfaqueada.
E que durante este ato meu assassino tenha me revelado uma verdade que me trouxe a magoa que sinto.
Mas nada me foi revelado até então, é tudo muito inesperado, emoção que explode no calar da noite.
As vezes fico a pensar... e se meu subconsciente tiver tido alguma revelação?
Talvez isso explicasse o porque desta tristeza.
A única coisa que chegou até mim foi a emoção desta revelação, mas nada além disto.
E tenho tanta vergonha de chorar.
E se alguém me ver? E se me perguntarem sobre meu pranto?
Acho que corro.
Não terei resposta alguma na ponta da língua, e minha vontade de dizer a verdade irá destruir minhas improvisações.
Eu poderia simplesmente dizer: Não sei.
Porém ao admitir minha ignorância, achar iam que estou mentindo.
Bendita mania que todos tem de achar que tudo tem resposta.
Esse hábito cretino me faz me envergonhar da maioria das minhas ações.
Mas a única que consigo me lembrar com clareza é a de chorar.
Cansei de querer chorar por brigas que nem minhas eram.
Por pessoas que nem me importavam.
Por querer chorar só para expor toda minha fragilidade.
Eles me congelaram.
Congelaram-me com seus olhares, impediram-me de mostrar quem sou.
Desaprendi a ser quem sou.
E por mais livre que as palavras corram em minha mente, sem medo de autocensura, eu não me encontro.
Não consigo mais me encontrar.
Fui moldada.
Não sei achar a essência escondida.
Não sei por onde começar essa busca perdida.
Não sei nem sequer se vale a pena ir atrás dessa essência.
Acho que o pior é essa sensação de cegueira.
Eu sei que ela está aqui! Uma energia que percorre em torno do meu corpo e me arrepia.
Sinto ela aqui comigo, mas não a vejo e não tenho como caracterizá-la.
Digo, eu estou aqui em algum lugar, adormecida.
Mas como separar o que sempre foi meu e o que escolhi com o tempo que fizesse parte de mim?
Ou que escolheram para mim. Tanto faz na verdade, estarei no lucro nas duas situações mesmo...
Na verdade tanto faz tudo para mim.
Mas só para mim, para os outros... Esqueça, eles não me importam também.
Só gostaria de ter percebido isso antes.
Gostaria de nunca ter deixado todas as portas que levavam a minha alma abertas.
Não devia ter deixado todos entrarem e saírem sem obrigá-los a arrumar o estrago feito. Ou simplesmente nunca devia tê-los deixado entrar.
Sinto como se cada um tivesse entrado nesta salinha branca com minha essência ao centro e tivessem cada um moldado a seu gosto e feito suas adaptações.
Porque ninguém sabe apreciar algo? Não podiam só ter visto a beleza que existia ali e terem saído?
Para que sempre criticar e querer padronizar a um ideal de beleza?
Graças a estes bastardos metidos a artistas é que mantenho está porta trancada a sete chaves.
E eu perdi todas as sete chaves.
O máximo que consigo é olhar pela fechadura e sentir aroma que escapa pelo pequeno buraco.
Talvez se todos soubessem cada um desempenhar sua função, sem está babaquice de mudar a mente das pessoas.
Se todos fossem em busca cada um da sua verdadeira evolução, talvez eu não estivesse perdida em mim mesma.
Afogada em mim, perdida e confusa.
Talvez ao olhar, não víssemos aparências, mas a verdade.
Mas isto tudo não passa de uma suposição e de uma vontade de fazer justiça a algo que me tomaram.
Há injustiças demais por aqui, e por mais que eu as cometa também, me alivia ter consciência delas.
Alivia, mas não trás paz.
Por que não vamos todos nós, em busca de nós mesmos?
Não procuro perfeição, paz, modelos ideológicos.
Apenas por algo claro como água. Que não seja mutável e que não mude.
Quero a minha essência de volta, e eu irei remoldá-la até conseguir recuperar sua forma original. Caso contrário, nada mais me importa.