Eu também sei chorar
14:33 | Author: § Tatiana Gerivazo

Eu tenho apenas um coração.

Não falo daquele que pulsa sangue para todo o meu corpo, mas aquele dos românticos.

Não consigo ver meus sentimentos como uma coisa só, por isso imagino meu coração com vários setores.

Você tinha livre acesso pela maioria destes.

Mas mesmo sem querer, fui obrigada a te tirar esse direito.

Afinal, você quase me levou a uma falência.

Ainda não consigo acreditar que tenha invadido meus sonhos e tenha feito tão pouco caso.

Logo quando tudo estava virando realidade... Você quis me acordar.

Berrando meu nome, claro.

Faça-me o favor de nunca mais o pronunciar.

Nem mesmo escrever!

Você só estará me envergonhando de tamanha capacidade.

É a única coisa de que é capaz, me envergonhar.

Então não adianta mais mentir, gritar, reprimir, ameçar, sumir e poetisar.

Nossa poesia acabou.

Foram só as cervejas que sobraram.

Talvez sejam elas que te tenham deixado tão inspirado.

Foi o que te fez imaginar este personagem ao qual você vestiu.

O personagem que sempre esteve ai, mas que só agora você o entendeu.

E não pense que invejo sua atuação.

Não é nem capaz de criar um.

Apenas resgatar da memória algo já encenado.

Essa peça é velha e o final não surpreende.

Você é previsível como um filme de amor.

E eu sou a mocinha tola, que achou que no final você iria mudar.

Eu sabia que não, mas eu precisava confiar em você para que você confiasse em mim.

E você fingiu confiar em mim.

Eu não.

Eu não fingi.

Eu jamais quis mentir que fingi... Eu jamais fingi.

Não para você...

Mas não tive como vencer meu orgulho. Eu jamais admitiria que não fingi.

Eu derramei lágrimas por você.

Pois é, não fique surpreso ou pense que é mentira.

Só quero que enxergue minha dor apesar das negações.

Arregale os olhos para minha face pálida, abatida e cansada.

Peça desculpas, não finja que não viu.

Se quisesse, teria sido o primeiro a ver.

A ver que também sou capaz de chorar, e até de amar.

Mas não, não mais...

Graças a você, não somente a você mas a todos os outros, sou somente capaz de chorar.

E muito em breve, nem mais isso.

Meu verdadeiro amor
16:32 | Author: § Tatiana Gerivazo

De muita coisa em minha vida eu já desisti, quase tudo na verdade.

Mas há algo que está aqui comigo deste os meus pensamentos mais primitivos.

E que não há como abandonar sem ter a consequência de morrer.

Isso de que falo é o ato de escrever.


Palavras bem alinhadas que me fazem rir e chorar.

Ou que não fazem nada, mas me fazem pensar.

Não há nada que me faça parar.

Não há Deus ou força maior que consiga me impedir.


Não adianta me tomar a caneta.

Me cortar as mãos.

Sumir com minha voz.

Me fazer parar de pensar.

Eu posso não existir mais, e no mínimo serei a poesia soprando no ouvido de outro escritor.


Então não adianta tentar me tomar este amor.

Não há quem consiga.

Desafio o mundo e até a Deus a tentarem!

Quem quer vir até mim e tentar me tomar as palavras?

O melhor dos vícios.

O melhor dos remédios.

E quem sabe, o melhor dos venenos.


E eu posso estar sozinha e sem um leitor para me dar atenção.

Mas eu vou continuar a escrever, até mesmo depois da caneta secar.

Viverei em exclusão em uma caverna, usando de pedras para arranhar palavras pelas paredes rochosas.

E depois que as pedras acabarem, usarei meu sangue se for preciso.

Não é drama, é paixão forte e inabalável.

Algo que enfim não pode me trair.

Algo que, enfim, é eterno.

Algo que enfim, posso chamar de amor.

O mundo não vai me devolver
12:12 | Author: § Tatiana Gerivazo
Eu perco completamente as forças ao lembrar do teu olhar.
Não é só isso que me faz agora ficar sem forças, mas não ajuda a resgatar nenhuma delas.
Aquele olhar de 'vejo você amanhã'. Aquilo é de matar.
Quem te garantiu que estaria sempre aqui?
Seja quem for, mentiram para você.
E o que me deixa mais triste, é saber que foi fácil te enganar.
Eles me jogam na cara todo dia o quão fácil foi te impressionar com uma falsa sentença.
E eu me lembro do seu olhar, e é exatamente nessa parte que a solidão me cons
ome.
Eu tenho tanto medo dessa alegria passar, que já estou voltando ao meu mundinho novamente.
Porque eu adoro tanto quando você está por perto, é ter certeza de que alguém se importa comigo.
Então nada mais importa.
Mas agora que a dúvida de seu sentimento por mim me possui até o fim.
Então tudo volta a importar-me.
Queria que me olhasse com medo do amanhã.
Sem essa facilidade toda de me perder para o mundo.
E se o mundo não quiser me devolver? Como vai ser?
Você ao menos vai se arrepender?
Me diz que vai sentir remorso de me deixar aqui.
Nessa rua escura, estendida e chorando sangue.
Eu só queria partir sem dúvidas.
Mas estou regredindo, me transformei em uma criança com medo.
Meu consolo? Ninguém pode me ver mais.
Eu deveria ter vergonha de morrer com meus últimos pensamentos serem para você.
Mas o que posso fazer? O coração pede esses pensamentos para diminuir a dor daquele que a pouco maltratava meu corpo.
Mas a razão me faz ver o erro desses sentimentos, e tudo isso só trás mais dor.
Por que diabos eu só consigo sentir dor?
Por que não posso me sentir feliz?
Eu estou tão cansada da dor. Eu a amo, mas como amar outra coisa?
Foi só ela que tive a vida toda.
E quando pensei ser capaz de amar algo além, você se mostrar tão sem interesse.
Ninguém quer me decifrar?
Mas agora esqueça. Deixe isso para aqueles médicos, já vão ter muito que supor sobre as facadas e marcas de mão em meu corpo.
Eu sei que esse drama e essa dor são em vão.
Você não é o meu príncipe encantado. Mas foi o mais perto que consegui chegar dele...
Tudo bem, eu não ligo mais da respiração doer, do sangue esfriar, do corpo latejar.
Eu fico feliz de me enganar com teu sorriso.
Eu fico feliz de serem os meus últimos pensamentos.
Fico feliz de ser o último...
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